A primeira semana de quarentena.

Nosso BBB particular.

Daniel e Hannah

Uma semana sem escola, uma semana com as crianças em casa, quase uma semana sem trabalhar direito. Quando na vida alguém pensou que isso pudesse acontecer fora da tela da tv? Quando na vida alguém pensou que teria que ficar em casa contra sua vontade, mesmo que as vezes o que mais a gente quer na vida é de fato sentar no sofá e ficar assim de bobeira assistindo netflix?

Nós somos uma família que mora em Israel e que está vendo de perto o nosso país parar.

Escola
Escola
Cidade de Efrat

Para vocês entenderem nosso “estilo” de vida, vivemos em uma região próxima a Jerusalém, um ishuv, onde a vida é totalmente diferente de uma cidade grande, por isso minha filha de 9 anos é “livre” para sair sozinha pelo bairro. Moramos em frente a escola e do lado de um parque, então quando o tempo está bom e tem um solzinho gostoso, todos correm pra brincar com seus filhos ao ar livre. Eu recebo pessoas em casa pelo meu trabalho, meu marido tem a opção de trabalhar de casa, mas aqui e ali precisa sair e se encontrar com as pessoas e nosso filho de 5 anos precisa viajar todos os dias para Jerusalém já que a escola dele se encontra lá (essa é a parte mais “chata” de morar onde moramos, mas vida que segue). De modo geral temos uma vida muito tranquila de cidade de uma cidade pequena.

Na sexta passada, 13/03/20 (agora escrevendo que me toquei que foi sexta-feira 13), recebemos um comunicado que todas as escolas do país iriam fechar e que as crianças começariam a estudar de casa, ou seja, todos os dias os professores mandariam exercícios, explicações e tudo mais que fosse possível para tentar manter as crianças em uma rotina.

Hannah

Até então não tinha nenhuma proibição de sair de casa, somente a parte de ter atenção triplicada para a parte de higiene (lavar as mãos, álcool gel…) e manter uma distância de 2 metros entre as pessoas, por isso continuamos indo no supermercado quando necessário, trabalhando e deixando nossa filha sair pra brincar com as amigas no parquinho, andar de bicicleta, tudo como sempre foi, mas somente com algumas restrições onde todas as meninas já sabiam e levavam realmente à sério, até mesmo mais que os adultos.

Parque
Parque público

As férias com restrições duraram exatos 4 dias. Na quarta-feira dessa semana, vendo que o buraco era bem mais embaixo, o governo decidiu que todos deveriam ficar em suas casas e sair somente para coisas necessárias como comprar comida e ir na farmácia. De resto, tudo fechado! Cinema, shopping, restaurante somente entrega, não tem essa de sair no parquinho nem por 10 minutos, não tem essa de sair pra andar de bicicleta, muito menos ir pra casa de amigos para fazer social. Nesse exato momento nossos filhos estão conversando com os filhos dos nossos vizinhos de porta, pela janela.

A sorte, apesar de terem alguns pais que não concordam comigo, é que os professores continuam mandando exercícios, desafios, vídeos educativos para tentarem nos ajudar e ajudar as crianças, além disso todos os dias mandam mensagem para saber como eles estão. Meu filho por ser pequeno não tem dever de casa, mas a professora e também as ajudantes, nos ligam dia sim/dia não pelo vídeo do whatsapp para falar com ele e mostrar o seu amor e carinho por ele. E o resultado desse carinho vimos hoje de manha quando acordamos e a primeira coisa que ele disse foi que estava com saudades de escola.

Meu marido posso dizer que é um homem a frente do nosso tempo. Há mais ou menos um mês e meio, quando o vírus começou a se espalhar pela China, ele me disse “vai no supermercado e compra todos os alimentos que podemos guardar por um longo período e que você sabe que não vão estragar, como arroz, macarrão, enlatados…”. Eu, de início, fiquei achando-o doido e exagerado, mas mesmo assim fui na onda dele e fiz uma super compra e depois de 2 semanas fui e fiz mais uma vez a mesma compra. Hoje em dia dou graças a Dus que o escutei, não porque está faltando comida no supermercado, mas pelas filas que se formam do lado de fora, na chuva, já que não pode ter mais que 10 pessoas dentro do local e todos têm que manter a tal distância de 2 metros. Ainda precisamos sair? Com certeza! Eu saí no início da semana para comprar pão e leite, meu marido saiu anteontem para o mercadinho para comprar outras coisas e ir na farmácia. 

Hannah
Hannah

Falando em farmácia, hoje “fomos” ao médico, mas de forma virtual. Nossa filha tem asma e como falta de ar é um dos sintomas, achamos melhor nos consultar para poder dá-la o tratamento adequado e falamos com ele pela câmera do whatsapp. Ele foi super atencioso, um adjetivo não muito usado por aqui, já que os médicos de uma forma geral são bem frios.

De modo geral, essa semana não foi muito difícil, as crianças entenderam que não temos como sair e o tempo podemos dizer que nos ajudou, já que tem chovido bastante nesses últimos dias. O que temos feito nesses dias em casa? Muita televisão, muitos jogos no celular, brincando e nos exercitando com as crianças no meio da sala mesmo, fazendo pintura sentados no chão da sala mesmo (isso que chamo de desespero), cozinhando e fazendo aquelas receitas gostosas que sempre deixamos pra depois por falta de tempo e conversando. Agora mais do que nunca precisamos sentar com nossos filhos, sentar e conversar entre nós, marido e esposa, beber um vinho e curtir a família.

Marcela Elmescany

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