Opinião — não é a parte informativa deste guia
Por que o caminho até 61 continua sendo mais curto pela direita
A leitura do Viva Israel
Análise pessoal · 5 de setembro de 2026
Tudo o que vem antes desta seção é descrição de posições. Isto aqui é opinião, e você deve tratá-la como tal.
Se você olhar só a manchete das pesquisas, vai concluir que o Netanyahu está em apuros: o Yashar de Eisenkot lidera em quatro das cinco sondagens de setembro e o Likud caiu de 32 assentos para algo entre 20 e 31. Eu leio de outro jeito, e vou explicar por quê — usando os mesmos números que estão na tabela mais acima nesta página.
1. Liderar não é governar. A conta que importa é a de 61
Israel não elege primeiro-ministro. Elege 120 cadeiras e depois pergunta quem consegue somar 61. Eisenkot pode terminar com o maior partido do país e mesmo assim não formar governo — foi exatamente o que aconteceu com Benny Gantz em 2019 e 2020, com dois empates e três eleições seguidas.
Some as quatro legendas do bloco da mudança na pesquisa mais generosa a elas, a do Walla: 24 do Yashar, 15 do B'Yachad, 10 do Beiteinu e 10 dos Democratas. Dá 59. É o melhor cenário disponível para a oposição, e ainda faltam dois.
2. Os vetos da oposição se anulam entre si
Para chegar aos 61 sem a direita, o bloco da mudança precisaria dos partidos árabes. Só que Bennett declarou que não se apoiará neles. Gantz traçou linha vermelha contra árabes e haredim. Lieberman recusa qualquer arranjo de governo de minoria — que é justamente o formato que permitiria apoio externo árabe sem tê-los como ministros.
Ou seja: dos quatro partidos que sustentariam Eisenkot, três já fecharam por escrito a única porta aritmética que existe. O único que quer abri-la é Yair Golan, que é também o parceiro que os outros três menos suportam. Isso não é detalhe de campanha. É um nó que ninguém desatou até hoje.
3. O bloco de direita tem parceiros que sempre voltam
Shas e Yahadut HaTorá passaram quatro anos ameaçando derrubar o governo por causa da lei de alistamento. Ameaçaram, sofreram sanções da Suprema Corte, apanharam na campanha — e continuam lá. Deri e Gafni sabem contar: sair do bloco significa oposição por uma geração, porque não existe governo alternativo que lhes ofereça mais.
Nas cinco pesquisas de setembro, esses dois partidos somam entre 14 e 18 assentos com uma estabilidade que nenhum partido do outro lado tem. É um piso. A oposição não tem piso nenhum: depende de um partido novo, o Yashar, e de uma chapa costurada em abril entre dois ex-primeiros-ministros que se detestaram durante uma década.
4. O histórico do homem que estão dando como acabado
Em 2006 o Likud despencou de 38 assentos para 12 — a pior derrota da história do partido. Netanyahu não fundou legenda nova, não fugiu para o centro, não se aposentou. Reconstruiu da oposição e em 2009 voltou com 27 e o cargo de primeiro-ministro. É o único político israelense vivo que já fez isso.
E há o detalhe que os analistas subestimam: nesta eleição ele é o único chefe de bloco que não precisa aprender a montar coalizão. Já montou seis.
5. Eisenkot fragmentou o próprio campo
Eisenkot recusou repetidamente as ofertas de fusão e disse com todas as letras que não seria segundo de ninguém. O resultado está na tabela: em vez de uma chapa grande de centro-esquerda, existem quatro legendas médias disputando o mesmo eleitor, mais um Kachol Lavan agonizando abaixo da barreira e um terceiro bloco inteiro flutuando em torno de 3%.
Fragmentação custa assentos. Foi isso que o Sionismo Religioso entendeu ao se juntar ao Zehut em 1º de setembro, e é a lição que a oposição ainda não aprendeu.
6. E o eleitor de direita tem um dever de casa nesta eleição
Aqui vai o conselho mais concreto que eu tenho para dar, e ele é desconfortável para quem gosta dos partidos pequenos: voto que não cruza os 3,25% não fica guardado. Ele é redistribuído proporcionalmente entre as listas que entraram — inclusive as do outro lado.
Em 2022 quem aprendeu isso na pele foi o campo árabe: o Balad saiu da chapa na última hora, ficou fora, e cerca de 138 mil votos evaporaram — o que ajudou o bloco de Netanyahu a chegar aos 64 assentos. Este ano o risco simétrico está na direita. Casa Sionista, Povo de Israel e A Unidade estão todos rondando a barreira. Se dois deles ficarem de fora, a direita perde na mesa o que ganhou na urna.
Onde esta leitura pode estar errada
Análise honesta mostra o próprio ponto fraco. O meu é este: o desgaste do alistamento é real e não é passageiro. Três anos de reservistas convocados repetidas vezes criaram um eleitor de direita que já não aceita a isenção haredi, e é exatamente esse eleitor que os três partidos novos estão pescando — todos fora do bloco. Se essa fuga se consolidar, o piso que descrevi no item 3 vira teto.
Segundo: o pedido de Netanyahu por um "governo nacional amplo" pode ser leitura estratégica, mas também pode ser o que os analistas dizem que é — o sinal de quem já não joga para vencer, e sim para não perder. Não descarto essa hipótese.
Terceiro: das cinco pesquisas de setembro, apenas uma dá maioria ao bloco. Eu acho que ela captura algo que as outras não capturam. Posso estar errado, e a média de todas elas hoje não está do meu lado.
Esta seção é opinião assinada e está aqui separada de propósito, com outro fundo e outra tipografia, para que ninguém a confunda com o restante do guia. As descrições de partidos, propostas e pesquisas nas seções anteriores foram escritas sem tomar partido, e você pode conferir cada uma delas nas fontes listadas abaixo. Se discordar desta análise, os dados para me contestar estão nesta mesma página.