Guia do eleitor · Israel · 26º Knesset

Quem disputa a eleição de 27 de outubro

Israel vota pela primeira vez desde o 7 de Outubro. Este guia reúne, em português, os partidos, seus líderes e o que cada um promete — a começar pelo tema que domina a campanha: o alistamento militar obrigatório para todos. Os números de assentos usam, por padrão, a pesquisa do Canal 14, com todas as outras ao lado para comparação.

הליכודLikud
ישר!Yashar
ש"סShas
ביחדB'Yachad
הדמוקרטיםOs Democratas
יהדות התורהYahadut HaTorá
עוצמה יהודיתOtzma Yehudit
ישראל ביתנוYisrael Beiteinu
רע"םRa'am
120assentos no Knesset
61para formar governo
3,25%cláusula de barreira (~4 assentos)
27.10dia da eleição, feriado nacional

Você não vota em um candidato. Vota em uma lista.

O eleitor israelense pega uma cédula de papel com o nome e as letras de uma lista, coloca num envelope e deposita na urna. Não há como escolher nomes dentro da lista nem riscar candidatos: a ordem foi definida antes, dentro de cada partido.

Representação proporcional pura

Os 120 assentos são divididos entre as listas na proporção dos votos válidos, em um único distrito nacional. Quem tira 10% dos votos leva cerca de 12 assentos.

Cláusula de barreira de 3,25%

Lista que não alcança 3,25% dos votos válidos fica de fora e seus votos se perdem. Equivale a cerca de quatro assentos — e explica a corrida por fusões de última hora entre partidos pequenos.

"Bloco técnico"

Dois partidos podem correr numa cédula só apenas para somar votos e passar da barreira, sem se fundir de fato. Foi o que Sionismo Religioso e Zehut assinaram em 1º de setembro.

O governo se forma depois

Ninguém tira 61 assentos sozinho. Depois da apuração, o presidente de Israel encarrega o parlamentar com mais chance de formar coalizão. A verdadeira disputa costuma ser a negociação que vem em seguida.

Datas que importam

8 de setembro de 2026: prazo final para registrar as listas. 27 de outubro: votação das 7h às 22h, com feriado nacional. O Knesset se dissolveu em 17 de julho de 2026.

Uma eleição rara

É a primeira desde 1988 realizada na data original prevista em lei, e a primeira em mais de 50 anos em que um Knesset cumpre o mandato inteiro.

Cinco pesquisas, cinco eleições diferentes

Todas as sondagens abaixo foram feitas entre 2 e 4 de setembro de 2026 — a mesma semana, o mesmo país, os mesmos partidos. E o resultado muda tanto que em uma delas Netanyahu já tem maioria formada e em outra ele está dez assentos longe dela. Isso não é anomalia israelense: acontece em toda campanha eleitoral, no mundo inteiro.

Comparação de assentos por partido em cinco pesquisas de setembro de 2026
Partido Canal 143/9 · Shlomo Filber, Next Data Israel Hayom3/9 · Dudi Hasid Canal 132/9 · Yitzhak Katz, HaMadad Maariv4/9 · Menachem Lazar Walla2/9 · Menachem Lazar
Likud3121212021
Yashar! (Eisenkot)2224222324
B'Yachad (Bennett)913121515
Shas107777
Os Democratas89111010
Yahadut HaTorá88878
Otzma Yehudit77788
Lista Árabe Unificada77978
Sionismo Religioso e Zehut76654
Yisrael Beiteinu698910
Ra'am55555
Povo de Israel (Winter)444
Bloco Netanyahu6353535148
Bloco da mudança4555535759
Partidos árabes1212141213

Traço significa abaixo da cláusula de barreira naquela pesquisa. O bloco de Netanyahu inclui o Povo de Israel nas pesquisas em que ele passa da barreira. Cada veículo contrata seu próprio instituto — e Maariv e Walla usam o mesmo pesquisador, Menachem Lazar, o que explica os resultados quase idênticos entre os dois.

A conta dos blocos em cada pesquisa

Canal 14 — 3 de setembroCoalizão 63 · Oposição 45 · Árabes 12
Israel Hayom — 3 de setembroCoalizão 53 · Oposição 55 · Árabes 12
Canal 13 — 2 de setembroCoalizão 53 · Oposição 53 · Árabes 14
Maariv — 4 de setembroCoalizão 51 · Oposição 57 · Árabes 12
Walla — 2 de setembroCoalizão 48 · Oposição 59 · Árabes 13
Likud, Shas, Yahadut HaTorá, Otzma Yehudit, Sionismo Religioso Yashar, B'Yachad, Yisrael Beiteinu, Democratas Lista Árabe Unificada, Ra'am Linha vermelha: 61 assentos, a maioria

Por que os números não batem

Cada instituto monta sua amostra de um jeito, pondera de outro e faz perguntas com formulações diferentes. Também variam o tamanho da amostra, o método de contato (painel online, telefone, misto) e, principalmente, o modelo de quem vai efetivamente votar. Numa eleição em que sete a dez por cento do eleitorado se declara indeciso, essas escolhas técnicas movem muitos assentos.

Onde a divergência é maior

O Likud aparece com 31 assentos no Canal 14 e com 20 no Maariv — uma diferença de onze. O B'Yachad de Bennett vai de 9 a 15. O Yashar de Eisenkot é o mais estável de todos, entre 22 e 24 em todas as cinco. Já o Ra'am marca exatamente 5 em todas — sinal de que o eleitorado árabe pragmático é o mais bem mapeado.

Como o próprio setor mede isso

Agregadores israelenses como o Skarim calculam a média móvel de todas as pesquisas publicadas e mostram, para cada sondagem, o quanto ela se afasta dessa média. Nas contas deles, os 31 assentos do Likud no Canal 14 ficam cerca de oito acima da média corrente do partido, e os 6 do B'Yachad no levantamento de 30 de agosto ficaram cerca de oito abaixo da média dele.

O que fazer com isso

Não escolha uma pesquisa e trate como verdade. Olhe a tendência ao longo de semanas, olhe a média de várias casas, e compare institutos. E lembre: a lei israelense proíbe a divulgação de sondagens a partir da sexta-feira anterior ao pleito, então a última semana corre no escuro.

Os seis temas que decidem esta eleição

A pauta de 2026 é diferente da de 2022. Questões clássicas, como o Estado palestino, perderam espaço; o desgaste de quase três anos de guerra e a crise de efetivo do exército tomaram o centro.

1. Alistamento militar: quem serve e quem não serve

É o assunto mais explosivo da campanha. Depois de três anos de guerra, com reservistas convocados repetidas vezes e falta severa de efetivo, a isenção histórica concedida aos estudantes de yeshivá haredim virou insustentável para boa parte do eleitorado.

A Suprema Corte já determinou o fim de benefícios econômicos para quem não se apresenta ao alistamento e obrigou a polícia a atuar na aplicação. A coalizão não conseguiu aprovar a lei de alistamento que os partidos haredim exigiam; aprovou, em vez disso, uma Lei Básica sobre o estudo da Torá e um congelamento temporário das prisões de quem evade a convocação — o que jogou ainda mais lenha na fogueira.

Praticamente todo partido novo desta eleição nasceu em torno desse tema. Veja a comparação detalhada logo abaixo.

2. Comissão de inquérito sobre o 7 de Outubro

A oposição inteira promete instalar uma comissão estatal de inquérito — o formato mais forte da lei israelense, com membros indicados pelo presidente da Suprema Corte. O Likud propôs uma comissão de composição política, argumentando que a via judicial seria parcial. É a linha divisória mais nítida entre os dois blocos.

3. Judiciário e regras do jogo

A reforma judicial de 2023, que levou centenas de milhares às ruas, continua no centro. Vários partidos agora propõem sair do impasse com uma Constituição escrita e uma Lei Básica da Legislação que fixe de vez os freios e contrapesos. Há também disputa sobre os poderes da procuradoria-geral e sobre a regulação da mídia.

4. Custo de vida

Habitação, alimentos e impostos indiretos pressionam o orçamento das famílias depois de anos de gasto de guerra. Propostas vão de mais concorrência e abertura de importações a mudanças na tabela de créditos fiscais que premiem quem trabalha e quem serve.

5. Gaza, Líbano, Irã e o dia seguinte

Sob o cessar-fogo negociado com mediação americana, a discussão passou de "como vencer" para "quem governa Gaza depois". Há divergência sobre aceitar uma administração palestina tecnocrática, sobre permanecer ou não em linhas de terreno no Líbano e na Síria, e sobre negociar um novo acordo nuclear com o Irã.

6. Quem pode entrar na coalizão

Metade da campanha é sobre vetos. Bennett descarta partidos árabes e haredim; Lieberman descarta governo de minoria; Gantz descarta árabes e haredim; Eisenkot admite governar com o Shas; os Democratas defendem abertamente incluir partidos árabes. Esses vetos podem decidir o resultado mais do que os votos.

Alistamento para todos: o que cada partido defende

Comparação direta sobre a questão que o eleitor mais pergunta. As posições vão de "obrigatório para todo cidadão, sem uma única exceção" a "estudar Torá é o serviço".

Yisrael BeiteinuAvigdor Lieberman
Universal, sem exceção

Promete que a primeira lei do próximo governo será o alistamento obrigatório de todo cidadão aos 18 anos — judeus, muçulmanos, cristãos, drusos e circassianos — em duas trilhas, militar e civil. "Não haverá isenção para 30%, nem para 3%, nem para uma única pessoa." Para quem evade, propõe corte de todo benefício estatal (creche, desconto de imposto municipal, auxílios) e registro criminal; chegou a propor perda de carteira de motorista e do direito de voto, proposta que gerou forte reação até entre críticos dos haredim. Argumenta que, sem alistamento universal, o imposto direto de todos os israelenses teria de subir cerca de 16%.

Yashar! com EisenkotGadi Eisenkot
"Serviço para todos", definido em lei

Defende uma lei chamada Sherut LaKol ("serviço para todos"): todo cidadão presta serviço militar ou nacional, em modelos que a lei definirá. Na prática, é a posição mais flexível dentro do bloco de oposição — Eisenkot admite prazos e formatos negociados com o mundo haredi e diz que aceitaria governar com o Shas. Ao mesmo tempo, afirmou preferir ir a novas eleições a fazer um acordo ruim no alistamento, e promete revogar leis que privilegiem setores que não servem.

B'YachadNaftali Bennett e Yair Lapid
Serviço para todos + corte total de verba

"Vamos aprovar uma lei de serviço para todos e parar de financiar a evasão nem que seja com um único shekel." Bennett promete revogar as leis aprovadas no fim da legislatura em favor dos haredim e declarou que não formará coalizão com os partidos haredim.

Casa Sionista – Os ReservistasChili Tropper e Yoaz Hendel
Condição para entrar em qualquer governo

Partido nascido do movimento dos reservistas e de famílias enlutadas. Coloca como condição inegociável para entrar numa coalizão a aprovação de uma lei que obrigue os haredim a servir e institua o alistamento universal.

A UnidadeGilad Erdan e Yuli Edelstein
Alistamento universal, vindo da direita

Dois ex-quadros do Likud. Edelstein, que presidiu a Comissão de Relações Exteriores e Defesa, rompeu justamente por causa do projeto de alistamento da coalizão: "no Likud me puseram freios na soberania e no alistamento". Prometem manter princípios de direita e brigar por convocação universal.

Povo de IsraelOfer Winter
Direita, mas contra proteger a evasão

Recusou a fusão com Sionismo Religioso e Zehut com uma frase que virou slogan: "não seremos o colete à prova de balas de Gafni e Goldknopf às custas de quem serve". Reúne combatentes, reservistas e familiares de vítimas.

Os DemocratasYair Golan
Igualdade no fardo

Defende marco legal que force a convocação dos haredim, dentro de uma agenda mais ampla de igualdade de deveres e de separação entre religião e Estado.

Kachol LavanBenny Gantz
Enquadramento legal do serviço

Apoia legislação que amplie o alistamento, mas o eixo do partido é outro: um "governo sionista amplo". Gantz traçou linha vermelha contra sentar com partidos haredim ou árabes.

LikudBenjamin Netanyahu
Prometeu lei, não entregou

O Likud passou a legislatura tentando costurar uma lei de alistamento aceitável aos parceiros haredim, com cotas anuais e sanções a yeshivot que não as cumpram. Em maio de 2026 Netanyahu comunicou aos haredim que não havia maioria para aprová-la antes da eleição. Depois do desgaste eleitoral causado pela lei que congela prisões de evasores e pela Lei Básica do Estudo da Torá, mudou de tom e passou a fazer campanha crítica aos haredim — enquanto sinaliza que pretende recompor a aliança com eles depois do pleito.

Sionismo Religioso e ZehutBezalel Smotrich e Moshe Feiglin
Prioridade em outro lugar

Não faz do alistamento haredi bandeira de campanha. Concentra-se em soberania na Judeia e Samaria, identidade judaica e limitação do Judiciário, e manteve-se ao lado dos parceiros haredim na coalizão.

Otzma YehuditItamar Ben Gvir
Prioridade em outro lugar

Campanha centrada em segurança interna, pena de morte para terroristas e soberania. Não pressionou pela convocação haredi e apoia a recomposição do bloco de direita com Shas e Yahadut HaTorá.

ShasAryeh Deri
Isenção para estudantes de Torá

Exige lei que regularize o status dos estudantes de yeshivá e os isente da convocação. Para o eleitorado haredi, a disputa não é sobre fugir do serviço, e sim sobre a honra da Torá e o lugar de quem estuda. Junto com Gafni, ameaçou apoiar a dissolução do Knesset para forçar a aprovação da Lei Básica do Estudo da Torá e da lei que interrompe prisões de estudantes.

Yahadut HaToráYitzhak Goldknopf e Moshe Gafni
Isenção é a razão de ser da campanha

Posição mais dura do campo haredi. Foi a principal força a exigir a lei de isenção e a ameaçar derrubar o governo por ela. Na campanha, apresenta a legislatura como período de "decretos econômicos" contra as famílias haredim — sanções, cortes de subsídio de creche e perda de benefícios ligados à não convocação.

Ra'am, Lista Árabe UnificadaPartidos árabes
Fora do debate do alistamento

Cidadãos árabes israelenses não estão sujeitos à convocação obrigatória (drusos e circassianos estão). O Balad se opõe expressamente a serviço militar ou civil. A agenda desses partidos é outra: igualdade civil, orçamento municipal e combate à onda de criminalidade violenta na sociedade árabe. Vale notar que a proposta de Lieberman inclui explicitamente cidadãos árabes na convocação universal.

Judeia e Samaria: quem defende soberania e quem defende separação

Este foi o eixo clássico da política israelense durante trinta anos e perdeu espaço em 2026 para o alistamento e para o 7 de Outubro. Mas continua sendo a decisão de maior consequência que o próximo governo vai tomar, e as posições estão longe de ser todas iguais. Abaixo, do polo da soberania plena ao da retirada completa, com o que cada partido efetivamente diz.

Otzma YehuditItamar Ben Gvir
Soberania plena, incluindo Gaza

Visão da Terra de Israel completa. Defende aplicar a soberania israelense à Judeia, à Samaria e também à Faixa de Gaza, assentamento judaico em todas as partes da Terra de Israel e o retorno da soberania judaica ao Monte do Templo. É a posição mais avançada do espectro nesse tema.

Sionismo Religioso e ZehutBezalel Smotrich e Moshe Feiglin
Soberania sobre toda a Judeia e Samaria

O "Plano da Decisão", de Smotrich, prevê a anexação de todo o território da Judeia e Samaria; os palestinos que ali vivem receberiam status de residentes, não cidadania israelense. Como ministro da Fazenda, iniciou mais de cem assentamentos e transferiu para autoridades civis israelenses competências que os Acordos de Oslo atribuíam à Autoridade Palestina — em fevereiro de 2026 o gabinete autorizou órgãos de fiscalização israelenses a atuar em áreas A e B. É o plano que os adversários dentro da própria direita mais atacam: Matan Kahana, do Yashar, argumenta que dar cidadania ou incorporar a população palestina produziria na prática um Estado binacional.

LikudBenjamin Netanyahu
Contra Estado palestino, sem anexação formal

Apoio à expansão dos assentamentos e oposição frontal à criação de um Estado palestino, que é a mensagem central da campanha. Ao mesmo tempo, o partido nunca formalizou a anexação em quatro anos de governo. Críticos vindos da direita lembram que Netanyahu aceitou em tese um Estado palestino desmilitarizado no discurso de Bar-Ilan, entregou 13% de território nos acordos de Wye e retirou-se de parte de Hebron — argumento usado hoje pelos partidos do terceiro bloco para disputar seu eleitorado.

Yisrael BeiteinuAvigdor Lieberman
Fim do "territórios por paz"

Uma das seis condições que Lieberman impõe para entrar em qualquer governo é a adoção de uma doutrina de segurança baseada no princípio de que não existe mais troca de território por paz: "Israel não abrirá mão de territórios em troca de promessas vazias." Defende também a expansão dos assentamentos.

B'YachadNaftali Bennett e Yair Lapid
Nenhuma entrega territorial

"Não entregaremos um centímetro de nossas terras ao inimigo", disse Bennett ao anunciar a chapa. Bennett construiu sua carreira política na oposição declarada a um Estado palestino. É um dos pontos em que ele e Lapid, que já defendeu a separação dos palestinos, historicamente divergem — a chapa optou por não detalhar uma posição comum sobre o estatuto final.

Yashar! com EisenkotGadi Eisenkot
Maioria judaica sólida, sem falar em estatuto final

"Nunca falei em Estado palestino", declarou Eisenkot em julho de 2026. Define seu objetivo como um Estado judeu, democrático e liberal com maioria judaica sólida, e o controle de segurança entre o rio e o mar nas mãos das FDI. Recusa-se a discutir estatuto final. Ao mesmo tempo, ataca de frente o plano de Smotrich: desmontar a Autoridade Palestina e assumir responsabilidade por 2,8 milhões de palestinos seria, nas suas palavras, uma ideia tola e completamente insensata. Adversários à sua direita, como a deputada do Sionismo Religioso Michal Woldiger, sustentam que o que ele chama de separação leva na prática à criação de um Estado para os palestinos — leitura que ele nega.

Casa Sionista, A Unidade, Povo de IsraelTerceiro bloco
Direita, sem plataforma de retirada

Os três partidos novos que disputam o eleitorado de direita se apresentam como guardiões dos princípios do campo nacional e nenhum defende retirada territorial. Yuli Edelstein, de A Unidade, rompeu com o Likud dizendo que "no Likud me puseram freios na soberania e no alistamento" — ou seja, acusando o próprio Netanyahu de ir devagar demais nesse tema.

Kachol LavanBenny Gantz
Sem posição de retirada declarada

A campanha é centrada em governo amplo, Estado de direito e instituições, não em estatuto territorial. Gantz não apresentou nesta eleição plano de separação nem de anexação.

Os DemocratasYair Golan
Separação, com condições de segurança

É o único partido sionista que apresenta um plano explícito de separação. O programa fala em "separação responsável" e se opõe à anexação: definição de fronteiras permanentes claras que preservem uma maioria judaica sólida, desmilitarização completa do futuro Estado palestino — sem exército e sem ameaça terrorista — e controle de segurança israelense pleno na fronteira leste, no Vale do Jordão, e nas áreas consideradas vitais. Golan também propõe combater o terrorismo cometido por judeus na Judeia e Samaria e interromper os movimentos de anexação. Historicamente favorável à solução de dois Estados, ele passou a defender após o 7 de Outubro uma abordagem mais matizada, o que lhe rendeu críticas da própria esquerda: o Partido Comunista Israelense acusa o documento dos Democratas de não conter a palavra "ocupação" e de descrever, na prática, uma continuidade do controle israelense.

Ra'amMansour Abbas
Dois Estados, com foco na agenda interna

Apoia formalmente a solução de dois Estados, mas construiu sua identidade política sobre a agenda doméstica: orçamento municipal, habitação, regularização fundiária e combate ao crime na sociedade árabe. Foi essa priorização que lhe permitiu entrar na coalizão de Bennett e Lapid em 2021.

Lista Árabe UnificadaHadash, Ta'al e Balad
Retirada total

Hadash e Ta'al defendem o fim da ocupação e um Estado palestino obtido por negociação, ao lado de igualdade civil plena dentro de Israel. O Balad vai mais longe e é o partido mais distante do consenso israelense em toda a disputa: retirada completa dos territórios ocupados, realização do direito de retorno, Estado palestino soberano com capital em Jerusalém Oriental, transformação de Israel em "Estado de todos os seus cidadãos", fim do reconhecimento estatal às instituições sionistas e oposição a qualquer serviço militar ou civil. As três correm juntas nesta eleição, o que significa que um voto na lista é um voto que ajuda a eleger candidatos das três.

O que mudou desde 2022

O Estado palestino saiu do centro do debate. Depois do 7 de Outubro, quase nenhum partido sionista faz campanha com essa bandeira, e o próprio Golan reformulou sua posição. A disputa real hoje é entre anexação formal e manutenção do estado de coisas atual, com a separação aparecendo apenas na esquerda sionista.

Onde a direita discorda de si mesma

A divisão mais interessante não é entre blocos, e sim dentro do campo nacional: Smotrich quer anexação com residência e sem cidadania para os palestinos; Eisenkot e boa parte do centro-direita respondem que assumir 2,8 milhões de pessoas destruiria a maioria judaica ou o caráter democrático do Estado. Os dois lados invocam o mesmo objetivo — preservar Israel como Estado judeu e democrático — e chegam a conclusões opostas.

Os partidos árabes se uniram — menos um

Essa é uma das variáveis mecânicas mais decisivas da eleição, e ela mudou em agosto. Entender quem se uniu e quem ficou de fora explica boa parte de como a conta dos 61 assentos vai fechar.

Quem entrou: Hadash, Ta'al e Balad

Depois de meses de negociação, os três anunciaram oficialmente em agosto de 2026 a recriação da Lista Árabe Unificada. Encabeça a chapa o presidente do Hadash, professor Yousef Jabareen; em segundo, o presidente do Ta'al, Ahmad Tibi; em terceiro, o presidente do Balad, Sami Abu Shehadeh. Nas dez primeiras posições ficaram cinco nomes do Hadash, três do Balad e dois do Ta'al. O objetivo declarado da união é elevar o comparecimento eleitoral na sociedade árabe, historicamente baixo.

Quem ficou de fora: Ra'am

Mansour Abbas manteve o Ra'am correndo sozinho. Em maio o partido chegou a dizer que aceitaria uma lista técnica conjunta desde que sua independência política fosse garantida, mas o acordo não saiu. O cálculo é transparente: correndo separado e sem se comprometer com os outros, o Ra'am preserva a chance de ser convidado para a próxima coalizão — como já aconteceu em 2021, quando entrou no governo Bennett-Lapid. O deputado Walid Taha, do Ra'am, saudou a lista dos três e propôs um pacto de não agressão entre elas e um acordo de sobras de votos.

Por que a união importa tanto

O Balad nunca cruzou a cláusula de barreira sozinho: nas pesquisas de agosto aparecia entre 2,3% e 2,9%, sempre abaixo dos 3,25%. Em 2022 ele se separou da chapa na última hora e seus votos se perderam por inteiro. Votos que evaporam na barreira não somem do sistema: eles são redistribuídos proporcionalmente entre quem entrou, o que na prática beneficia os blocos maiores. Foi por isso que, em 2022, a divisão árabe ajudou o bloco de Netanyahu.

O efeito nas contas de agora

Nas cinco pesquisas de setembro, a Lista Árabe Unificada aparece com 7 a 9 assentos e o Ra'am com 5 fixos — um total de 12 a 14. Sondagens do Canal 12 que testaram o cenário de união encontraram um assento a mais para a lista conjunta, tirado do campo da oposição sionista. Mais assentos árabes enfraquecem numericamente o bloco de Netanyahu, mas não necessariamente ajudam a oposição: Bennett, Gantz e Lieberman já descartaram apoiar-se neles.

Duas incertezas até o dia 8

Primeira: o Balad já enfrentou tentativas de desqualificação pela Comissão Eleitoral Central em ciclos anteriores. Se for barrado, Hadash e Ta'al podem correr sem ele. Segunda: existe ainda o Makom LeKulanu, "Lugar para Todos Nós", partido judaico-árabe novo que ficou fora da união e marca cerca de 0,7% — mais um candidato a desperdiçar votos na barreira.

Palavra dada: o que prometeram e o que entregaram

Programa de campanha é fácil de escrever. O que separa um candidato do outro é o registro público: o que ele disse antes de ter poder e o que fez depois de tê-lo. Abaixo, os casos documentados — inclusive os desconfortáveis para todos os lados.

Naftali BennettRa'am e Lapid, 2021
Prometeu, e fez o contrário

Em entrevista de rádio em 3 de janeiro de 2021, Bennett disse: cooperar com o Ra'am é "uma coisa completamente louca e também gravíssima, porque dá legitimidade real à Irmandade Muçulmana. Eu não vou cooperar com a Irmandade Muçulmana em sua filial israelense". Em março do mesmo ano assinou publicamente um compromisso de não servir sob Yair Lapid.

Cinco meses depois formou o governo com Lapid e com o Ra'am de Mansour Abbas — a primeira vez na história em que um partido árabe independente assinou acordo de coalizão em Israel. Ele mesmo reconheceu, em junho de 2021: "Se eu tivesse me entrincheirado nas promessas, não teria havido governo. Nunca me passou pela cabeça, em mil anos, que eu me sentaria com Mansour Abbas. A necessidade política levou a isso."

Nesta campanha Bennett declarou de novo que não se apoiará em partidos árabes nem formará coalizão com os haredim. O deputado Walid Taha, do Ra'am, respondeu em abril de 2026: "No passado ele também disse que não faria governo com o Ra'am e com Lapid. A gente se vê depois das eleições."

Itamar Ben GvirPresos terroristas e pena de morte
Prometeu e entregou

Foi condição do acordo de coalizão do Otzma Yehudit com o Likud uma lei de pena de morte para terroristas. A legislação foi aprovada em março de 2026 — depois de décadas em que sucessivos governos de direita prometeram e engavetaram o tema.

Como ministro da Segurança Nacional, Ben Gvir conduziu a reforma do serviço prisional que endureceu significativamente as condições de detenção de presos palestinos, argumentando que tanto a pena de morte quanto o regime mais duro produzem dissuasão. É um dos poucos casos claros nesta legislatura em que uma bandeira de campanha virou lei e prática administrativa. O custo: Ben Gvir foi declarado persona non grata por vários países europeus.

Benjamin NetanyahuLei de alistamento
Prometeu e não entregou

O Likud entrou no governo comprometido a aprovar uma lei que regulasse o alistamento e sobreviveu quatro anos ao impasse. Em maio de 2026 Netanyahu comunicou aos partidos haredim que não havia maioria para aprovar a lei antes da eleição. O que a coalizão aprovou no lugar foi uma Lei Básica consagrando o estudo da Torá e uma lei congelando temporariamente as prisões de quem evade a convocação — o oposto do que boa parte do eleitorado de direita esperava.

No campo territorial, o histórico também é misto: apoio contínuo aos assentamentos, mas nenhuma aplicação formal de soberania em quatro anos de governo com a coalizão mais à direita da história de Israel. Críticos vindos da própria direita lembram ainda o discurso de Bar-Ilan, em que aceitou em tese um Estado palestino desmilitarizado, os 13% cedidos nos acordos de Wye e a retirada de parte de Hebron.

Bezalel SmotrichSoberania na Judeia e Samaria
Entregou na prática, não na lei

A soberania formal, bandeira central do Sionismo Religioso, não foi aplicada. Mas como ministro da Fazenda e com autoridade sobre a administração civil, Smotrich iniciou mais de cem assentamentos e transferiu competências que os Acordos de Oslo davam à Autoridade Palestina — em fevereiro de 2026 o gabinete autorizou órgãos israelenses a atuar em áreas A e B. Analistas chamam isso de anexação de fato sem anexação de direito. Para seus eleitores, é entrega; para seus críticos dentro da direita, é o pior dos dois mundos.

Gadi EisenkotO que ele disse durante a guerra
Registro contestado — vale ler o que ele disse de fato

Este é um ponto muito disputado na campanha, e circula em versões distorcidas nos dois sentidos. O registro público é este:

Em janeiro de 2024, Eisenkot disse que não seria realista alcançar todos os objetivos declarados da guerra e que os reféns só voltariam por meio de um acordo, não por pressão militar. A declaração lhe rendeu forte crítica à direita — inclusive a acusação, feita em coluna do Ynet à época, de estar apresentando "uma verdade parcial", já que às vezes só a eliminação do inimigo salva os civis. Ele também sustenta, até hoje, que no Oriente Médio não existe "vitória absoluta": vitória seria um processo cumulativo, medido pela melhora da situação de segurança ao longo do tempo.

Por outro lado, o registro não sustenta a versão de que ele quisesse deixar o Hamas no poder ou poupar o Hezbollah. Em 24 de outubro de 2023 ele votou no gabinete a favor da manobra terrestre em Gaza e dos objetivos da campanha. Em junho de 2026 declarou que a primeira coisa que faria de diferente seria ampliar imediatamente a liberdade de ação contra o Hezbollah em todo o Líbano, porque os objetivos da guerra no norte não foram alcançados. E ataca Netanyahu justamente pelo lado oposto: "não fui eu que preferi o governo do Hamas em Gaza durante anos, foi você."

A crítica legítima que se pode fazer a Eisenkot é de doutrina — ele rejeita a linguagem de vitória total e prioriza acordo sobre pressão militar, e isso é uma diferença real com o Likud. A crítica que não se sustenta nos fatos é a de que ele defendeu deixar o Hamas em pé.

Avigdor LiebermanCoerência de bloco
Trocou de lado

Lieberman construiu a carreira à direita e foi ministro da Defesa de Netanyahu. Depois de romper com ele, levou o Yisrael Beiteinu para dentro do governo Bennett-Lapid, que dependia do Ra'am, e ocupou o Ministério da Fazenda. Hoje volta a se apresentar como o mais duro do campo em segurança e no alistamento. O eleitor que valoriza consistência de bloco tem aqui um dado a considerar; o que valoriza consistência de agenda pode responder que ele nunca abandonou suas duas bandeiras, alistamento universal e separação entre religião e Estado.

Shas e Yahadut HaToráAmeaças de derrubar o governo
Ameaçaram e não cumpriram

Durante quatro anos os dois partidos haredim anunciaram ultimatos, prazos e ameaças de dissolver o Knesset caso a lei de isenção não avançasse. Em junho de 2026, Deri e Gafni deram mais um ultimato a Netanyahu. Nenhuma das ameaças foi executada: ambos permaneceram na coalizão até o fim da legislatura. É um dado relevante para quem tenta prever o comportamento deles na formação do próximo governo.

Todos os itens desta seção remetem a declarações públicas, votações registradas e legislação aprovada, e as fontes estão listadas no rodapé. Onde a acusação de campanha não bate com o registro — como no caso de Eisenkot e do Hezbollah — isso está dito explicitamente, em vez de omitido.

Bússola: as duas decisões que o eleitor precisa tomar

Em 2026 quem vota não decide uma coisa, decide duas. Primeiro, qual valor pesa mais. Depois, se aposta ou não na cláusula de barreira. Responda às quatro perguntas e a ferramenta mostra as três listas mais próximas da sua posição — com o aviso de barreira quando ele existir.

1. Qual tema decide o seu voto?

Escolha o que você colocaria acima de todo o resto, não o que acha importante em geral.

2. Netanyahu deve seguir como primeiro-ministro?

Esta é a pergunta que mais separa os blocos nesta eleição.

3. O que fazer com a Judeia e Samaria?

Do polo da soberania formal ao da separação negociada.

4. E o alistamento dos haredim?

O tema que rachou o próprio campo da direita.

5. E quanto ao risco da cláusula de barreira?

Voto em lista que não alcança 3,25% não fica guardado: é redistribuído entre as que entraram, inclusive as do campo adversário.

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A enquete do Viva Israel

Três perguntas rápidas. Depois de votar você vê como o público deste site respondeu. Isto não é uma pesquisa científica — é uma enquete aberta, e mais abaixo explico exatamente por que a diferença importa.

Se você pudesse votar em 27 de outubro, em qual lista votaria?

Qual tema mais pesa na sua decisão?

Quem você acha que vai formar o próximo governo?

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Por que esta enquete não é uma pesquisa. Nas seções acima você viu cinco institutos profissionais chegarem a resultados que variam em quinze assentos. Eles trabalham com amostra construída, ponderação demográfica e modelo de quem efetivamente vota. Esta enquete não tem nada disso.

Quem responde aqui é quem chegou a esta página — provavelmente porque acompanha um canal sobre Israel em português, o que já é um recorte muito particular. O resultado diz algo sobre o público deste site e nada sobre o eleitorado israelense. Trate como termômetro de comunidade, não como previsão.

Um voto por navegador. Ninguém precisa se identificar e nenhum dado pessoal é coletado.

Os partidos, um a um

Cada ficha traz o líder, a força nas pesquisas, as propostas por área e as linhas vermelhas de coalizão. Troque a pesquisa no seletor abaixo para ver como o mesmo partido muda de tamanho de instituto para instituto.

הליכוד

Likud

Benjamin Netanyahu · primeiro-ministro

Bloco Netanyahu 31 assentos

Segurança e política externa

  • Linha dura contra Hamas, Hezbollah e Irã; contra a criação de um Estado palestino.
  • Apoio à expansão dos assentamentos na Judeia e Samaria.
  • Relação pessoal com a Casa Branca apresentada como principal ativo do partido.

Estado e Judiciário

  • Apresentou projeto de comissão de inquérito de composição política sobre o 7 de Outubro, em vez da comissão estatal nomeada pelo Judiciário.
  • Foi o motor da reforma judicial de 2023 e da reforma das comunicações, que reorganiza a regulação da mídia e da radiodifusão.

Economia

  • Discurso de livre mercado, incentivo ao empreendedorismo, menos intervenção estatal e privatizações.
  • Na prática, a coalizão manteve repasses a instituições de ensino haredim, estudantes de Torá e assentamentos.

Campanha e contexto

  • Mensagem central: "ou nós, ou um governo que dependerá dos partidos árabes e de Yair Golan, que criará um Estado palestino".
  • Passou a pedir um "governo nacional amplo" — leitura de analistas: sinal de que a estratégia mudou de vencer para não perder.
  • Netanyahu responde a três processos criminais em Israel e é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional.
  • É o partido com maior divergência entre institutos: 31 no Canal 14 contra 20 no Maariv.

ישר! עם איזנקוט

Yashar! com Eisenkot

Gadi Eisenkot · ex-chefe do Estado-Maior das FDI

Bloco da mudança 22 assentos

Segurança e política externa

  • Doutrina de segurança nacional refeita; Israel como potência regional que busca acordos de paz a partir de força militar e econômica.
  • Contra a criação de um Estado palestino.
  • Cobra que o governo atual não concluiu os objetivos de guerra no Líbano nem melhorou a realidade de segurança no norte, e diz que ampliaria de imediato a liberdade de ação contra o Hezbollah em todo o Líbano.
  • Ponto mais contestado do seu histórico: em janeiro de 2024 afirmou que os reféns só voltariam por acordo e não por pressão militar, e sustenta que não existe "vitória absoluta" no Oriente Médio. Votou a favor da manobra terrestre em Gaza no gabinete, em outubro de 2023.

Estado e Constituição

  • Comissão estatal de inquérito sobre o 7 de Outubro.
  • Constituição escrita baseada na Declaração de Independência e nas Leis Básicas, mais uma Lei Básica da Legislação: Knesset soberano, governo com capacidade de executar, Judiciário forte e independente.
  • Restaurar a mamlachtiut — o caráter estatal e apartidário das instituições — e reconstruir o serviço público.
  • Compromisso público de não negociar acordos de bastidores com deputados árabes ou haredim para viabilizar votações.

Economia e sociedade

  • Reformar a tabela de créditos fiscais para premiar quem carrega o fardo econômico e de segurança: "quem contribui, é recompensado".
  • Garantir que trabalhar sempre compense mais do que receber benefício social.
  • Reabilitação de feridos de guerra com direito de escolha do tratamento e ampliação da rede de terapeutas credenciados.
  • Educação pública estatal como base para reduzir as fraturas sociais; investimento na periferia.

Quem está na lista

  • Yoram Cohen (ex-chefe do Shin Bet), Matan Kahana, Orit Farkash-Hacohen, Manuel Trajtenberg, Nir Zohar (presidente da Wix), Shir Sigal, Tal Russo.
  • É o partido mais estável de toda a campanha: nenhuma das cinco pesquisas o coloca fora da faixa 22–24.

ש"ס

Shas

Aryeh Deri · sob o Conselho dos Sábios da Torá

Bloco Netanyahu 10 assentos

Identidade

  • Partido haredi sefardita fundado sob a liderança espiritual do rabino Ovadia Yosef, com a bandeira histórica de combater a discriminação contra o público sefardita.
  • Apresenta-se como social-democrata na economia e conservador nos costumes.

Propostas

  • Custo de vida no centro da campanha, com foco nas camadas populares.
  • Manutenção e ampliação do financiamento da rede própria de educação religiosa.
  • Reversão da reforma do sistema de cashrut aprovada no governo Bennett-Lapid.
  • Isenção do alistamento para estudantes de Torá, com regularização legal do seu status.

Coalizão

  • É o único partido haredi com quem Eisenkot já disse que aceitaria governar — o que faz do Shas a peça mais disputada do tabuleiro pós-eleição.
  • O Canal 14 é o único instituto que dá 10 assentos ao Shas; os outros quatro dão 7.

ביחד

B'Yachad ("Juntos")

Naftali Bennett, com Yair Lapid em segundo

Bloco da mudança 9 assentos

Primeiras medidas prometidas

  • Comissão estatal de inquérito sobre o 7 de Outubro no primeiro dia de governo.
  • Lei de serviço para todos e fim de todo financiamento público a quem evade a convocação.
  • Limite de oito anos para o cargo de primeiro-ministro, valendo já para o próprio Bennett.
  • Revogação das leis aprovadas no fim da legislatura, que Bennett chama de "leis do caos, da pilhagem e da divisão".

Estado e sociedade

  • Constituição escrita "no espírito da Declaração de Independência".
  • Um único sistema educacional para todas as correntes e populações.
  • Judaísmo "acolhedor e inclusivo, sem coerção religiosa".

Segurança e economia

  • "Não entregaremos um centímetro de nossas terras ao inimigo."
  • Mais concorrência no mercado para derrubar o custo de vida; investimento em transporte; combate à criminalidade.
  • Aposta em inteligência artificial como eixo de tecnologia e defesa.

Linhas vermelhas e leitura das pesquisas

  • Bennett declarou que não se apoiará em partidos árabes e que não formará coalizão com os partidos haredim. Vale lembrar que ele fez promessa equivalente em 2021 — chamou a cooperação com o Ra'am de "completamente louca" e assinou compromisso de não servir sob Lapid — e depois formou governo com os dois.
  • Segundo maior grau de divergência entre institutos: 9 no Canal 14 contra 15 no Maariv e no Walla. Boa parte da disputa interpretativa da campanha está nesse intervalo.

הדמוקרטים

Os Democratas

Yair Golan · general da reserva, ex-vice-chefe do Estado-Maior

Bloco da mudança 8 assentos

Plano dos 100 primeiros dias

  • Gaza: adotar o plano americano e reconhecer um governo palestino de tecnocratas como autoridade formal na Faixa.
  • Irã: buscar um novo acordo nuclear com inspeções intrusivas.
  • Judeia e Samaria: combater o terrorismo cometido por judeus e interromper os movimentos de anexação.
  • Norte: manter as FDI na linha de cumes colada à fronteira com o Líbano.

Sociedade e Estado

  • Social-democracia, direitos civis, separação entre religião e Estado.
  • Base constitucional escrita, independência e profissionalismo do Judiciário, imprensa livre.
  • Lista com paridade de gênero em sistema zíper, com vagas garantidas para o Meretz, o setor rural e um candidato árabe em posição realista.

Pontos em disputa

  • Historicamente favorável à solução de dois Estados; após o 7 de Outubro, Golan passou a defender uma abordagem "mais matizada", o que gerou críticas à sua esquerda.
  • É o único partido do bloco de oposição que defende abertamente formar coalizão com os partidos árabes — ponto que os adversários exploram na campanha.
  • Golan declarou que fecharia o Canal 14 por incitação sistemática, o que abriu polêmica sobre liberdade de imprensa.

יהדות התורה

Yahadut HaTorá

Yitzhak Goldknopf (Agudat Israel) e Moshe Gafni (Degel HaTorá)

Bloco Netanyahu 8 assentos

Como o partido funciona

  • Aliança de duas correntes haredim asquenazes — a hassídica Agudat Israel e a lituana Degel HaTorá — que atuam como bancada única mas obedecem, cada uma, ao seu próprio conselho de rabinos.

Alistamento

  • Exige lei que regularize o status dos estudantes de yeshivá e os isente da convocação.
  • Foi a força que mais pressionou pela dissolução do Knesset quando ficou claro que a lei não passaria.
  • Conquistas legislativas do período: Lei Básica consagrando o estudo da Torá como valor fundamental e lei que congela temporariamente as prisões de quem não se apresenta ao alistamento.

Economia e educação

  • Financiamento de yeshivot, do mundo do estudo de Torá e de famílias haredim numerosas.
  • Resistência à imposição de currículo comum obrigatório nas escolas haredim.
  • Campanha apresenta a legislatura como período de "decretos econômicos" contra o público haredi — cortes de subsídio de creche e perda de benefícios ligados à não convocação.

עוצמה יהודית

Otzma Yehudit ("Força Judaica")

Itamar Ben Gvir · ministro da Segurança Nacional

Bloco Netanyahu 7 assentos

Bandeiras centrais

  • Pena de morte para terroristas — condição do acordo de coalizão, aprovada em março de 2026.
  • Soberania israelense na Judeia e Samaria e também sobre a Faixa de Gaza.
  • Retorno da soberania israelense sobre o Monte do Templo e revisão do status quo do local.
  • Assentamento judaico em toda a Terra de Israel.

Segurança interna e Justiça

  • Endurecimento das condições de detenção de presos palestinos, defendido como fator de dissuasão.
  • Incorporação do direito hebraico ao ordenamento jurídico israelense.
  • Reformas nas instituições de governo para reforçar o caráter judaico do Estado.

Educação e contexto

  • Inserção de conteúdos de tradição e identidade judaica no currículo escolar.
  • Entre os partidos da coalizão, é o que tem o registro mais claro de bandeira cumprida: a pena de morte para terroristas era condição do acordo de coalizão e virou lei em março de 2026, e o endurecimento das condições de detenção foi executado por ele no ministério.
  • Ben Gvir foi declarado persona non grata por vários países europeus em razão de declarações e de suas visitas ao Monte do Templo.
  • Recusou correr em chapa única com o Sionismo Religioso nesta eleição.

חד"ש-תע"ל · בל"ד

Lista Árabe Unificada

Yousef Jabareen e Ahmad Tibi; Sami Abu Shehadeh pelo Balad

Partidos árabes 7 assentos

Quem é quem

  • Hadash é uma frente árabe-judaica de raiz comunista; Ta'al é nacionalista árabe, de Ahmad Tibi. Correm juntos pela segunda eleição seguida.
  • O Balad, que não passa da barreira sozinho, assinou acordo para se juntar aos dois — deixando a porta aberta ao Ra'am, que até agora recusou.

Propostas

  • Igualdade civil plena e reconhecimento dos árabes israelenses como minoria nacional.
  • Plano de enfrentamento à onda de homicídios e crime organizado nas cidades árabes.
  • Estado palestino via negociação; o Balad defende retirada total dos territórios, direito de retorno e "Estado de todos os seus cidadãos".
  • Separação entre religião e Estado.
  • Objetivo declarado: tirar Netanyahu e Ben Gvir do governo.

Por que importa

  • Uma lista árabe unificada tende a enfraquecer o bloco de Netanyahu — mas também pode complicar a formação de governo pela oposição, já que Bennett e Gantz recusam apoio árabe.

הציונות הדתית · זהות

Sionismo Religioso e Zehut

Bezalel Smotrich, ministro da Fazenda, com Moshe Feiglin em segundo

Bloco Netanyahu 7 assentos

Território e identidade

  • Soberania israelense plena sobre a Judeia e Samaria; visão da Terra de Israel completa.
  • Mais de cem novos assentamentos iniciados durante a gestão de Smotrich, o que lhe rendeu declaração de persona non grata em vários países europeus.
  • Fortalecimento da identidade judaica do Estado e conservadorismo religioso e social.

Judiciário

  • Redução do poder do sistema judicial e reforço da capacidade de governar do Executivo.
  • Simcha Rothman foi o principal articulador da tentativa de limitar os poderes da procuradora-geral sobre o governo.

Economia e Aliá

  • No Ministério da Aliá, isenções fiscais para novos imigrantes e reconhecimento ampliado de diplomas estrangeiros.
  • O Zehut, de Feiglin, traz uma agenda libertária de corte de impostos, redução do Estado e liberdades individuais — inclusive a legalização da maconha, sua bandeira mais conhecida.

Nomes e situação

  • Orit Strock, Simcha Rothman, Tzvika Mor, Tzvi Sukkot.
  • A união com o Zehut foi feita justamente para escapar da barreira: no Walla a chapa aparece com 4 assentos, no limite exato do corte.

ישראל ביתנו

Yisrael Beiteinu

Avigdor Lieberman · ex-ministro da Defesa, das Relações Exteriores e da Fazenda

Bloco da mudança 6 assentos

Seis condições para entrar em qualquer governo

  • Alistamento obrigatório para todos, sem nenhuma isenção, como primeira lei da legislatura.
  • Comissão estatal de inquérito imediata sobre o 7 de Outubro.
  • Comitê de especialistas para redigir uma Constituição, submetida a referendo popular.
  • Currículo comum obrigatório em todas as redes de ensino financiadas pelo Estado.
  • Nova doutrina de segurança: fim do princípio "territórios por paz"; Israel não abre mão de território em troca de promessas.
  • Não participar de nenhum arranjo de governo de minoria.

Segurança

  • Passar da "campanha entre as guerras" para golpe preventivo e decisão militar.
  • Criar um corpo de mísseis como força de choque central das FDI, reduzindo a dependência de plataformas aéreas e de coordenação externa.
  • Eliminar Hamas e Hezbollah e enfrentar o regime iraniano de forma decisiva.

Religião e Estado

  • Separação entre religião e Estado; contra a coerção religiosa e contra o que chama de privilégio excessivo ao setor haredi.
  • Base histórica entre imigrantes da ex-União Soviética, hoje se apresenta como partido do público laico em geral.

רע"ם

Ra'am (Lista Árabe Unida)

Mansour Abbas

Partidos árabes 5 assentos

Posição singular

  • Único partido árabe que já integrou uma coalizão de governo em Israel, sob Bennett e Lapid, em 2021.
  • Recusou entrar na lista árabe unificada justamente para preservar a chance de ser convidado à próxima coalizão.
  • Em dezembro de 2025 anunciou desligamento do Movimento Islâmico e do Conselho da Shura, movimento visto como tentativa de ampliar a base e reduzir vetos.

Propostas

  • Agenda pragmática de serviços: orçamento municipal, habitação, infraestrutura e regularização fundiária nas comunidades árabes e beduínas.
  • Combate à criminalidade violenta na sociedade árabe como prioridade número um.
  • Conservadorismo social de matriz islâmica; apoio à solução de dois Estados.
  • É o único partido que marca exatamente o mesmo número nas cinco pesquisas.

עמך ישראל

Povo de Israel

Ofer Winter · general de brigada da reserva

Terceiro bloco assentos

Proposta

  • Renovação da direita por gente que não fazia parte do sistema político nem militar em 7 de Outubro, mas que combateu na guerra e pagou preço pessoal.
  • Recusa alianças com políticos em exercício: "o povo de Israel exige algo novo, não mais do mesmo".
  • Rejeitou a fusão com Smotrich e Feiglin para não servir de "colete à prova de balas" aos partidos haredim às custas de quem serve.

Nomes e situação

  • Yoseph Haddad, ativista árabe-israelense, em segundo lugar; Fleur Hassan-Nahoum, ex-vice-prefeita de Jerusalém.
  • Caso exemplar do peso da barreira: entra com 4 assentos em três pesquisas e fica de fora nas outras duas. Se ficar de fora, seus votos somem da conta e o bloco de direita perde força.

בית ציוני-המילואימניקים

Casa Sionista – Os Reservistas

Chili Tropper e Yoaz Hendel

Terceiro bloco assentos

Propostas

  • Representar reservistas e famílias enlutadas; igualdade no fardo como eixo único.
  • Fim da isenção de alistamento, como condição para entrar em qualquer coalizão.
  • Governo sionista amplo, fortalecimento do Estado de direito e concepção estatal e apartidária de segurança.
  • Elisaf Peretz, Shira Shapira e Yoav Adumi na lista.

כחול לבן

Kachol Lavan (Azul e Branco)

Benny Gantz · ex-chefe do Estado-Maior, com Dedi Simchi

Bloco da mudança assentos

Posição

  • Defende um "governo sionista amplo" que reúna os dois lados e não descarta sentar com Netanyahu.
  • Linha vermelha declarada: não governar com partidos haredim nem com partidos árabes.
  • Independência do Judiciário, separação de poderes, serviço público forte, oportunidades para a periferia, mercado livre com justiça social.

Situação

  • Perdeu quadros importantes para outros partidos, entre eles o próprio Eisenkot e Chili Tropper.
  • Negocia fusão com A Unidade, de Erdan e Edelstein, para tentar cruzar a barreira.

האחדות

A Unidade

Gilad Erdan e Yuli Edelstein

Terceiro bloco assentos

Proposta

  • Casa para o eleitor de direita que não se reconhece mais nos partidos da coalizão.
  • Alistamento universal e princípios de direita sem concessões — foi o projeto de alistamento da coalizão que motivou o rompimento de Edelstein com o Likud.
  • Erdan foi ministro e embaixador de Israel na ONU e nos Estados Unidos.
  • Em negociação avançada de fusão com o Kachol Lavan de Gantz.

Leia com atenção antes de decidir. As listas só ficam definitivas em 8 de setembro de 2026. Até lá, partidos podem se fundir, se dividir ou desistir — três acordos foram fechados só na última semana de agosto. Confira a lista final no site da Comissão Eleitoral Central antes de votar.

Nenhum número aqui é resultado: são intenções de voto de cinco institutos diferentes, todas de 2 a 4 de setembro de 2026, e todas com margem de erro. A própria variação entre elas — de 48 a 63 assentos para o bloco de Netanyahu — é a melhor prova de que pesquisa não é previsão.

Este guia descreve o que cada partido propõe. Não recomenda voto em ninguém.

Opinião — não é a parte informativa deste guia

Por que o caminho até 61 continua sendo mais curto pela direita

A leitura do Viva Israel Análise pessoal · 5 de setembro de 2026 Tudo o que vem antes desta seção é descrição de posições. Isto aqui é opinião, e você deve tratá-la como tal.

Se você olhar só a manchete das pesquisas, vai concluir que o Netanyahu está em apuros: o Yashar de Eisenkot lidera em quatro das cinco sondagens de setembro e o Likud caiu de 32 assentos para algo entre 20 e 31. Eu leio de outro jeito, e vou explicar por quê — usando os mesmos números que estão na tabela mais acima nesta página.

1. Liderar não é governar. A conta que importa é a de 61

Israel não elege primeiro-ministro. Elege 120 cadeiras e depois pergunta quem consegue somar 61. Eisenkot pode terminar com o maior partido do país e mesmo assim não formar governo — foi exatamente o que aconteceu com Benny Gantz em 2019 e 2020, com dois empates e três eleições seguidas.

Some as quatro legendas do bloco da mudança na pesquisa mais generosa a elas, a do Walla: 24 do Yashar, 15 do B'Yachad, 10 do Beiteinu e 10 dos Democratas. Dá 59. É o melhor cenário disponível para a oposição, e ainda faltam dois.

2. Os vetos da oposição se anulam entre si

Para chegar aos 61 sem a direita, o bloco da mudança precisaria dos partidos árabes. Só que Bennett declarou que não se apoiará neles. Gantz traçou linha vermelha contra árabes e haredim. Lieberman recusa qualquer arranjo de governo de minoria — que é justamente o formato que permitiria apoio externo árabe sem tê-los como ministros.

Ou seja: dos quatro partidos que sustentariam Eisenkot, três já fecharam por escrito a única porta aritmética que existe. O único que quer abri-la é Yair Golan, que é também o parceiro que os outros três menos suportam. Isso não é detalhe de campanha. É um nó que ninguém desatou até hoje.

3. O bloco de direita tem parceiros que sempre voltam

Shas e Yahadut HaTorá passaram quatro anos ameaçando derrubar o governo por causa da lei de alistamento. Ameaçaram, sofreram sanções da Suprema Corte, apanharam na campanha — e continuam lá. Deri e Gafni sabem contar: sair do bloco significa oposição por uma geração, porque não existe governo alternativo que lhes ofereça mais.

Nas cinco pesquisas de setembro, esses dois partidos somam entre 14 e 18 assentos com uma estabilidade que nenhum partido do outro lado tem. É um piso. A oposição não tem piso nenhum: depende de um partido novo, o Yashar, e de uma chapa costurada em abril entre dois ex-primeiros-ministros que se detestaram durante uma década.

4. O histórico do homem que estão dando como acabado

Em 2006 o Likud despencou de 38 assentos para 12 — a pior derrota da história do partido. Netanyahu não fundou legenda nova, não fugiu para o centro, não se aposentou. Reconstruiu da oposição e em 2009 voltou com 27 e o cargo de primeiro-ministro. É o único político israelense vivo que já fez isso.

E há o detalhe que os analistas subestimam: nesta eleição ele é o único chefe de bloco que não precisa aprender a montar coalizão. Já montou seis.

5. Eisenkot fragmentou o próprio campo

Eisenkot recusou repetidamente as ofertas de fusão e disse com todas as letras que não seria segundo de ninguém. O resultado está na tabela: em vez de uma chapa grande de centro-esquerda, existem quatro legendas médias disputando o mesmo eleitor, mais um Kachol Lavan agonizando abaixo da barreira e um terceiro bloco inteiro flutuando em torno de 3%.

Fragmentação custa assentos. Foi isso que o Sionismo Religioso entendeu ao se juntar ao Zehut em 1º de setembro, e é a lição que a oposição ainda não aprendeu.

6. E o eleitor de direita tem um dever de casa nesta eleição

Aqui vai o conselho mais concreto que eu tenho para dar, e ele é desconfortável para quem gosta dos partidos pequenos: voto que não cruza os 3,25% não fica guardado. Ele é redistribuído proporcionalmente entre as listas que entraram — inclusive as do outro lado.

Em 2022 quem aprendeu isso na pele foi o campo árabe: o Balad saiu da chapa na última hora, ficou fora, e cerca de 138 mil votos evaporaram — o que ajudou o bloco de Netanyahu a chegar aos 64 assentos. Este ano o risco simétrico está na direita. Casa Sionista, Povo de Israel e A Unidade estão todos rondando a barreira. Se dois deles ficarem de fora, a direita perde na mesa o que ganhou na urna.

Onde esta leitura pode estar errada

Análise honesta mostra o próprio ponto fraco. O meu é este: o desgaste do alistamento é real e não é passageiro. Três anos de reservistas convocados repetidas vezes criaram um eleitor de direita que já não aceita a isenção haredi, e é exatamente esse eleitor que os três partidos novos estão pescando — todos fora do bloco. Se essa fuga se consolidar, o piso que descrevi no item 3 vira teto.

Segundo: o pedido de Netanyahu por um "governo nacional amplo" pode ser leitura estratégica, mas também pode ser o que os analistas dizem que é — o sinal de quem já não joga para vencer, e sim para não perder. Não descarto essa hipótese.

Terceiro: das cinco pesquisas de setembro, apenas uma dá maioria ao bloco. Eu acho que ela captura algo que as outras não capturam. Posso estar errado, e a média de todas elas hoje não está do meu lado.

Esta seção é opinião assinada e está aqui separada de propósito, com outro fundo e outra tipografia, para que ninguém a confunda com o restante do guia. As descrições de partidos, propostas e pesquisas nas seções anteriores foram escritas sem tomar partido, e você pode conferir cada uma delas nas fontes listadas abaixo. Se discordar desta análise, os dados para me contestar estão nesta mesma página.