Governo israelense confirma envio de vacinas para a Palestina

Governo israelense
Foto by Abed Rahim Khatib/Flash90

Nesta quarta-feira (13), o governo israelense confirmou o envio de doses da vacina contra a Covid-19 para a Autoridade Palestina. A entrega dos imunizantes aconteceu há mais de uma semana, apesar dos dois governos terem negado o acordo de cooperação.

Até este momento, Israel já vacinou mais de 20 por cento da população com a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, se tornando o país mais bem sucedido no mundo nessa questão. Realidade bem diferente no território vizinho, controlado pela Autoridade Palestina. Em audiência na Suprema Corte israelense para explicar a situação, o Procurador do Estado, Shai Nitzan, afirmou que foi informado pelo Conselho de Segurança Nacional de que os palestinos não possuíam uma única dose da vacina. 

Ele também relatou que a Autoridade Palestina solicitou ajuda ao Ministério da Saúde quanto ao envio dessas doses. “No dia 4 de janeiro, o Ministério da Saúde recebeu o pedido através de uma ligação militar com os palestinos. Com a aprovação, o ministro da saúde, Yaakov Litzman, aprovou a ajuda como um “gesto humanitário”, disse. As vacinas foram entregues no mesmo dia.

Debates em torno da ajuda aos palestinos

Apesar de serem dois estados diferentes, o ritmo de vacinação em Israel gera diferentes opiniões entre a população e os governantes. De um lado, autoridades palestinas afirmam que o país possui um sistema de saúde próprio e autônomo, permitindo que o cuidado da população seja administrado por Ramala (capital palestina). De outro lado, outros membros do mesmo governo dizem que Israel precisa respeitar leis internacionais e ajudar a Palestina.

E é essa questão de acordos internacionais, que por sua vez, gera debates dentro da fronteira israelense. Especialistas afirmam que conforme o chamado Acordo de Oslo (tratado assinado entre Israel e a Palestina no início dos anos 1990) cabe à Autoridade Palestina o cuidado da saúde de seus cidadãos. Enquanto outros dizem que o mesmo acordo garante a cooperação durante pandemias, como a da Covid-19.

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No domingo (10), o Vice-Ministro da Saúde de Israel, Yoav Kisch, comentou a repercussão desses debates em torno da vacinação. “Primeiro são os cidadãos israelenses. Só depois que nós terminarmos a vacinação de toda a população do país, é que poderemos considerar qualquer pedido, incluindo os da Autoridade Palestina”, disse.

Texto: Raphael Branco (colaborador no Rio de Janeiro, Brasil)

Fontes: The Israel Times, Israel Ministry of Justice

David Elmescany

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