27/01 – “Dia internacional em memória das vítimas do holocausto”

Confira relato de visita ao museu do holocausto Yad Vashem em Jerusalém

“Durante o holocausto toda a humanidade era culpada do segundo pecado original. Cometido tanto por ação, omissão ou ignorância propositada”.

Na última quinta-feira (23) aconteceu o Quinto Fórum Mundial do Holocausto, intitulado: “Lembrando o Holocausto, combatendo o anti-semitismo” com presença confirmada de mais de 40 líderes mundiais. O fórum internacional marca o 75º aniversário de libertação de Auschwitz-Birkenau e o “Dia internacional em memória das vítimas do Holocausto”, comemorado hoje dia 27 de janeiro.

Visita ao Museu do Holocausto

Yas Vashen

Quero aproveitar o momento histórico em Israel, para descrever as minhas experiências e percepções sobre o que vi e vivi em minha visita ao museu do holocausto. Ao entrar no museu encontramos uma obra feita em formato de triângulo, que mostra a efervescente comunidade judaica da Europa antes do holocausto, por meio de vídeos e fotos, que contam um pouco da vida dos judeus antes do genocídio. 

A obra também fornece informações importantes como a origem do nome do museu, que se trata na verdade, de uma citação bíblica, uma passagem do livro de Isaías:

“E a eles darei a minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome que não será arrancado.” Isaías 56:5 (Yad: monumento / Vashem: nome).

Por volta de 1920/30 havia um mundo dinâmico e criativo, as famílias judias viviam tranquilamente a vida religiosa e a efervescência cultural com suas eshivás e sinagogas. Suas crianças e jovens brincavam e cantavam ao som de violinos espalhados pelas cidades, e também contavam com numerosos congressos internacionais. 

YadVashen2

Já em 30 de janeiro de 1933 Hitler foi apresentado como chanceler e ai começava o terror do povo judeu.  O partido nazista foi criado a partir de um discurso inflamado de supremacia racial, que infelizmente ganhou o apoio das massas na época e resultou no genocídio do holocausto. Onde cerca de 6 milhões de judeus foram mortos das piores maneiras possíveis e sobretudo por meio de câmaras de gás instaladas em campos de concentração e extermínio. O holocausto aconteceu a luz do dia, enquanto as pessoas viviam sua rotina normalmente. 

Os maiores crimes da humanidade foram perpetrados graças ao silêncio das chamadas “pessoas de bem”, por isso, faz muito sentido a frase: “O que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Houve uma vergonhosa indiferença do mundo diante da atrocidade que foi o genocídio do povo judeu. O papa se manteve neutro. Houve recusa por parte dos “Aliados” para bombardear os campos de concentração para não “desviar o foco dos esforços de guerra”, durante a Segunda Guerra Mundial.

Justos entre as nações

A população em geral se manteve silenciosa e de certa forma conivente, com exceção de alguns heróis, que arriscaram a própria vida e família para ajudar a salvar os judeus. Mais tarde, muitos deles foram homenageados e hoje possuem lugar no jardim do museu do holocausto com árvores plantadas com os seus respectivos nomes.

Três frases dos chamados “Justos entre as nações” me chamaram muito a atenção na exposição:

“Durante o holocausto toda a humanidade era culpada do segundo pecado original. Cometido tanto por ação, omissão ou ignorância propositada”.

“Sei que quando estiver diante de Deus no dia do juízo final, eu terei que responder à pergunta que foi feita a Caim: Onde estavas quando o sangue do seu irmão estava clamando a Deus?”.

Os judeus foram tratados como gado, como “ovelhas indo para o matadouro”, eles recebiam uma numeração de identificação tatuada no antebraço esquerdo e a estrela de Davi em cor amarela costurada em jaquetas, calças e casacos. A estrela de Davi, símbolo judaico, foi profanado da pior maneira possível, como se ser judeu fosse um crime passível de morte.

Eles eram submetidos as condições de trabalho forçado e de forma desumana, muitas vezes na neve, com fome, frio, dor. Eram obrigados a se despir e passar por diversas privações e humilhações até chegar as filas das seleções que levavam para a morte por meio das temidas câmaras de gás.

Uma verdadeira aberração contra a vida humana, a dignidade e a liberdade. Uma série de direitos básicos de um ser humano foram simplesmente violados. Foi feito todo um processo de desumanização e despersonalização. 

Os prisioneiros se transformaram em meros números. “Meu número é 174517; nós fomos batizados, nós carregaremos a tatuagem no nosso braço esquerdo…” Primo Levi.

Carta de um membro do sonderkommando 

Mas o que realmente mais me chamou a atenção na exposição foi um relato extremante interessante de um prisioneiro, membro do sonderkommando, feito para alertar o “mundo livre” do terror que eles estavam vivendo nos campos de concentração. As palavras duras e provocativas foram encontradas nas folhas do seu diário enterradas próximo a área do crematório localizada dentro do centro de extermínio nazista:

“Venha a mim cidadão do mundo livre, tu que tivesse a sorte de não seres expostos ao regime cruel destas bestas que andam sobre dois pés. E eu te contarei sobre os métodos sádicos e astutos usados para aniquilar milhões de pessoas do indefeso povo judeu abandonados ao seu destino sem abrigo. Levanta-te e acorda, não esperes que a tempestade passe porque ficará tão estupefado que não crerás em teus próprios olhos e quem sabe se os que hoje podem dar testemunho vivo ainda podem contar toda a verdade quem sabe se até lá eles terão desaparecido”, Zalman Gradowski. 

Zalman Gradowki foi deportado para Auchwitz com sua família em 8 de dezembro de 1942 e escreveu que tinha esperança de que suas anotações fossem encontradas e publicadas. Ele foi morto na revolta de sonderkommando em 7/10/1944. Os nazistas logo exterminavam os membros do sonderkommandos porque eles eram as únicas testemunhas oculares do genocídio.

Outras coisas que me deixaram de fato “estupefada” e sem que eu pudesse acreditar no que os meus olhos estavam vendo – bem como disse que seria, o membro do sonderkommando – foram as fotos históricas e reais que comprovam o holocausto.

Tive a oportunidade de ver de perto o álbum mais importante do Museu do Holocausto, que contém 198 fotos mostrando um pouco da saga dos judeus até os centros de concentração e extermínio. 

Existem três fotos que tem destaque especial no acervo do Yad Vashem porque são os únicos documentos que comprovam em imagens verídicas o terror do genocídio nazista. Quase desmaiei quando li a inscrição abaixo das fotos: “Estas três fotografias tiradas em Birkenau, são as únicas que documentam o assassinato de vítimas e a cremação dos corpos”.

Hall dos nomes

Chegando ao final da exposição você encontra o famoso “Hall dos Nomes”: lá você encontra fotografias de judeus mortos no holocausto que foram espalhadas por toda a sala, que possui uma arquitetura bem interessante, a parte do teto possui formato de funil com um vão que aponta para o céu, e na parte de baixo há uma espécie de lago. Ao olhar para baixo é possível ver as imagens das paredes refletidas no lago, e isso simboliza uma espécie de sepultura para cada judeu morto no holocausto.

Fernanda Thomaz

4 thoughts on “27/01 – “Dia internacional em memória das vítimas do holocausto”

    1. Aqui tá uma nação….q mesmodusnte de tantas afrontas.
      Deus tem GUARDADO.
      Zelado por ela..
      Sou adimiradora deste povo..
      Pois DEUS tem GUARDADO..
      Mesmo adiante de tantas atrossidades..
      Como foi este tmp…

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