Metade dos judeus que vivem em Jerusalém são ortodoxos

Os dados revelados na sexta-feira, na véspera do Dia de Jerusalém, refletem o crescimento da população ortodoxa na capital de Israel, que já representa metade dos judeus que vivem na cidade.

O Instituto Ortodoxo de Estudos Políticos divulgou um relatório que mostra o crescimento da população ortodoxa em bairros de Jerusalém que até recentemente eram considerados relativamente laicos, a ponto de 70% dos moradores do centro da cidade pertencerem a essa corrente religiosa.

Nos últimos anos, a crise imobiliária e os altos custos de vida levaram muitas famílias a se mudarem de Jerusalém para outras cidades ortodoxas, como Beit Shemesh. Mas aqueles que sobreviveram e podem se dar ao luxo de permanecer na cidade enfrentaram outra dificuldade: o mercado não acompanha o crescimento populacional e é difícil encontrar moradia em bairros tradicionalmente ortodoxos.

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No início, muitos casais jovens se voltaram para moradias temporárias, incluindo estacionamentos, com a premissa de que viver perto da família e da comunidade era o mais importante. Mas o próximo passo foi mudar para bairros “seculares”, o que às vezes leva a atritos entre vizinhos.

O relatório do Instituto Ortodoxo de Estudos Políticos surge do tratamento de dados dos Registos da População, da Autoridade Tributária e do Ministério da Educação. Segue-se que das 971.800 pessoas que vivem em Jerusalém, cerca de metade da população judaica e quase um terço da população geral são judeus ortodoxos. Além disso, os ortodoxos na capital representam um quarto de todos os israelenses ortodoxos.

Segmentados por bairro, os ortodoxos representam uma maioria marcada em áreas tradicionais como Maalot Dafna (81,5%), Neve Yaakov (78,5%), Ramat Eshkol (73,5%) e o centro da cidade (69%). Por sua vez, há bairros como Kiryat Yuvel (27%), Givat Mordechai (27%), Pisgat Zeev (13%) e Katamon (9,5%) que veem a presença ortodoxa crescer a cada ano.

A pesquisa também mostra que a taxa de emprego dos ortodoxos de Jerusalém é de 57,3%, 14% inferior à média nacional do setor (66,7%). “Jerusalém, como uma capital diversificada e multicultural, expressa o desafio e a oportunidade de criar um tecido socioeconômico único que deve ser o motor de seu crescimento”, refletiu Eitan Regev, vice-diretor de pesquisa do Instituto Ortodoxo de Estudos Políticos.