O Acordo do Século une israelenses e palestinos em protesto

Um palestino de Belém e um israelense da cidade de Tekoa explicam por que se opõem ao plano do Presidente Donald Trump “O Acordo do Século” proposto e promovido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Jaled Abu Awad e o Rabino Shaul Judelman vivem a alguns quilômetros de distância, no sul da Cisjordânia. O primeiro é um palestino de Belém, o outro é israelense da colônia judaica de Tekoa ambos lideram o movimento Shorashim-Judur (“raízes” em hebraico e árabe), fundado em 2014 com o objetivo de promover o diálogo entre israelenses e palestinos na Cisjordânia.

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Segundo eles, a desejada anexação por Israel de partes do território do vale do Jordão e das colônias israelenses seria “uma agressão contrária ao princípio do respeito mútuo” que consideram essencial para garantir a paz e a segurança nesta terra e na região , de acordo com uma declaração conjunta.

O Acordo do Século

A sede do Shorashim-Judur está localizado em Gush Etzion, um bloco de 25 colônias israelenses estabelecidas perto da cidade palestina de Belém. Segundo alguns observadores, esse bloco de colônias pode estar entre os primeiros a serem anexados por Israel.

Em um terraço cercado por oliveiras, Abu Awad acredita que “a anexação seria uma declaração de guerra que poderia levar à violência”. “Seria um gesto unilateral, que agravaria o conflito”, diz ele.

Sentado ao lado dele em uma cadeira de plástico, o Rabino Shaul Judelman acredita que “devemos parar de empurrar para a separação”. “Temos uma geração de israelenses que nunca conheceram palestinos, e uma geração de palestinos que só viram soldados israelenses”, lamenta o rabino.

Khaled Abu Awad e Shaul Judelman. O Acordo do Século

Para este colono, “os acordos de paz de Oslo [assinados em 1993] separaram israelenses e palestinos, decidindo que alguns estariam aqui e outros lá”.

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Esses acordos dividiram a Cisjordânia entre três zonas, A, B e C. Os dois primeiros representam 40% do território e estão principalmente sob controle palestino, enquanto a zona C (60%) está sob controle militar e civil de Israel. “As coisas não podem funcionar assim”,israelenses e palestinos estão “ligados a toda essa terra”.

Em sua declaração, os dois homens criticam a posição do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que descartou a opção de conceder a cidadania israelense aos palestinos que estariam nas terras anexadas. “Um projeto que não priorize a igualdade de direitos que todo palestino e israelense merece não nos aproximará, mas nos afastará”, escrevem os dois. “Não basta se opor à anexação, as pessoas de ambos os lados devem se unir”, diz Shaul Judelman. “Mais personalidades políticas corajosas são necessárias para quebrar a cortina de ferro entre nossas sociedades”.

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David Elmescany

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