A partir de 2022, Tel Aviv terá táxis sem motorista

Ernesto Pesochinsky, diretor da Mobileye, empresa israelense que desenvolve veículos autônomos, explica como esses carros funcionam e diz o que falta para eles circularem nas ruas: “Do ponto de vista tecnológico ele está em testes, mas já temos as soluções necessárias”.

Mais uma vez, como tantas outras vezes na história recente, a inovação israelense surpreende o mundo novamente. Neste caso, o protagonista é um velho conhecido da indústria da tecnologia, a empresa Mobileye, de propriedade da Intel, anunciou que em 2022 Tel Aviv terá o primeiro lote de táxis autônomos.

“O veículo está em um período experimental, mas está pronto, é uma realidade”, diz Ernesto Pesochinsky, diretor da Mobileye, em entrevista à Agência AJN na qual explicou em que a tecnologia consiste e detalhou o que falta para carros sem motorista circularem nas ruas.

Veículos autônomos fazem parte de um dos projetos mais ambiciosos da empresa, que trabalha nisso há anos. Modelos pilotos já estão percorrendo as ruas de Jerusalém e Munique, e em breve os testes começarão em Tóquio, Paris, Xangai e Detroit.

táxis sem motorista
A apresentação dos táxis Mobileye. (Agência AJN)

“É um processo que começou há pouco mais de 20 anos, quando a Mobileye começou na tecnologia de sistemas para prevenção de colisões, e que mais tarde se desviou para a direção autônoma”, diz Pesochinsky, que está na empresa há quase oito anos. “Do ponto de vista tecnológico, o veículo está em testes, mas já temos as soluções tecnológicas necessárias”, diz o israelense de origem argentina.

Graças à sua tecnologia avançada de sistemas de assistência ao motorista, um sensor que mede a distância de outros veículos em 2017 a Mobileye foi adquirida pela gigante americana Intel. Nos últimos anos, todos os esforços da empresa se concentraram em impulsionar a automação.

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Ernesto Pesochinsky.  (Agência AJN)

“A condução autônoma é baseada em três pilares fundamentais: 1) visão mecânica, os olhos do veículo, alcançados através de sensores e câmeras de vídeo; 2) inteligência artificial, que consiste em ensinar por computador um processo de aprendizado de máquina para que na estrada você se comporte quase como um ser humano e sem causar acidentes; 3) os dados, resumidos em uma espécie de mapa com tudo o que é a realidade externa do veículo, tanto estáticos quanto semáforos e sinais dinâmicos, ou seja, outros veículos, pedestres ou bicicletas”, explica Pesochinsky.

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“A questão agora é quando teremos veículos autônomos para circular. Se estamos falando de massa nas estradas, isso vai demorar um pouco, porque há uma questão regulatória que tem que acontecer primeiro”, continua o diretor da empresa com sede em Jerusalém.

“Todos os países e reguladores em todo o mundo têm que determinar se o veículo é seguro o suficiente para vendê-lo. Eles precisam verificar se o passageiro vai descer em segurança no local onde ele tem que descer”, acrescenta.

A figura por trás de todo o desenvolvimento de veículos autônomos é Amnon Shashua, uma personalidade central da inovação israelense. Além de ser o CEO da Mobileye, ele participou da criação de outras empresas, como a OrCam Technologies, outra marca israelense reconhecida no exterior.

táxis sem motorista
O CEO Amnon Shashua apresenta o veículo autônomo da Mobileye. (Agência AJN)

Shashua, a quem Pesochinsky define como um “visionário” e a quem ele chama de “Steve Jobs do mundo da tecnologia de veículos autônomos”, falou sobre o futuro do projeto na CES 2021, um evento de tecnologia em Las Vegas que este ano foi realizado virtualmente.

Lá, ele disse que carros sem motorista podem ser distribuídos em massa até 2025. Além disso, ele disse que está aguardando aprovação regulamentar para poder implementar um piloto nas ruas de Nova York.

Shashua e Mobileye representam um fenômeno que reconhece Israel em todo o mundo: seu ecossistema de inovação impulsionado por startups. “Em meio à pandemia, Israel teve um investimento recorde em empresas de tecnologia com mais de 10 bilhões de dólares”.

“Foi um ano recorde, superando 2019, quando não houve pandemia”, diz Pesochinsky. “Isso ocorreu porque Israel criou uma história tecnológica muito confiável, tanto o país quanto suas empresas. Isso é visto nas soluções que Israel pode dar a essa situação, mas também em outras”.

“A pandemia um dia vai acabar, o mundo não vai continuar assim para sempre”, completa. Além de Tel Aviv, as outras cidades que participarão da fase de testes de táxis autônomos serão Paris e Daegu, na Coreia do Sul.

Se não houver grandes desvantagens nos testes e com a ajuda de um marco regulatório que permita sua implementação em larga escala, esse será o primeiro passo para a fantasia futurista que a Mobileye realizará graças à inteligência artificial: veículos autônomos, de Israel para o mundo.

David Elmescany

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